Dr. Renato Susin Médico Nutrólogo

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Hormônios e Regulação

Menopausa: sintomas, causas e o que fazer para viver bem

O que é, quando começa, os sintomas que vão muito além do calorão, e a janela em que a reposição hormonal pesa mais.

Mulher madura serena e confiante em luz quente de fim de tarde
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Se você chegou aqui pesquisando sobre menopausa, provavelmente está sentindo o corpo mudar e quer entender o que está acontecendo. Ou conhece alguém que está passando por isso e fica meio perdida com tanta informação solta.

A boa notícia é que dá para atravessar essa fase com qualidade de vida. A má notícia é que se perde muito bem-estar por falta de informação boa. Então vamos do começo.

O que é a menopausa, afinal

A menopausa não é uma fase. É uma data.

Do ponto de vista médico, ela é a última menstruação da vida da mulher. Só dá para confirmar olhando para trás: o diagnóstico vem depois de 12 meses seguidos sem menstruar. Ou seja, se a última menstruação veio em abril de um ano e não voltou até abril do ano seguinte, a menopausa foi naquele abril.

No Brasil, isso costuma acontecer por volta dos 51 anos. E como a mulher hoje vive bem além dos 78, ela pode passar quase um terço da vida na pós-menopausa. É tempo demais para deixar sem cuidado. Essa fase merece acompanhamento e informação de qualidade.

Perimenopausa: a fase que vem antes (e confunde)

Antes da data oficial existe um período de transição, chamado perimenopausa ou climatério. Nela, os ovários ainda funcionam, mas de forma irregular e cada vez mais fraca. Os ciclos ficam bagunçados, ora atrasam, ora adiantam, e os primeiros sintomas já aparecem.

É aqui que mora a confusão. É comum começar a dormir mal na casa dos 40, ficar mais irritada, ver a barriga crescendo, e não ligar nada disso à transição hormonal, porque a menstruação ainda está lá. A perimenopausa pode começar vários anos antes da última menstruação, às vezes até uma década antes.

Entender isso importa, porque é justamente nessa janela que dá para agir mais cedo e com mais resultado.

Por que tudo isso acontece

A menopausa acontece porque os ovários vão perdendo a capacidade de produzir hormônios. Esse processo é natural e tem nome: envelhecimento ovariano.

E a ordem em que os hormônios caem surpreende quem só ouviu falar de estrogênio.

Na transição, o que cai primeiro é a progesterona. Ela depende da ovulação, e os ciclos começam a passar sem ovular bem antes de o estradiol despencar. Por isso a queixa dessa fase costuma ser insônia, irritabilidade e ciclo bagunçado, e não calorão. O estradiol, que é a forma mais ativa do estrogênio, cai depois, e é ele que responde pela maior parte dos sintomas da menopausa já instalada. A testosterona reduz quase pela metade, porque a outra metade continua vindo das suprarrenais.

Isso muda o que se olha primeiro em cada fase, e é um dos motivos pelos quais a mulher de 44 anos que dorme mal ouve que “ainda não é menopausa” e sai sem resposta.

Vale saber também que esses três hormônios agem em praticamente todo o corpo, do cérebro aos ossos. Por isso a queda deles mexe com tantas coisas ao mesmo tempo. Não é coincidência sentir calor, dormir mal e ficar com o humor instável tudo na mesma época. É a mesma raiz.

Infográfico mostrando a queda de estradiol, progesterona e testosterona na menopausa e os sistemas do corpo que isso afeta Os hormônios que caem na menopausa agem no corpo inteiro. Por isso os sintomas são tão variados.

Os sintomas da menopausa

O sintoma mais famoso é o calorão, ou fogacho, aquela onda súbita de calor que sobe pelo rosto e pescoço, muitas vezes com suor e coração acelerado. Com a queda do estradiol muda o equilíbrio de neurotransmissores no cérebro, cai a serotonina e sobe a noradrenalina, e é a noradrenalina que mexe no centro que regula a temperatura. Por isso o calor dispara sem que a temperatura em volta tenha mudado.

E nem todo calor é menopausa. Ansiedade, cigarro, alguns medicamentos e o uso longo de anticoncepcional podem produzir exatamente o mesmo quadro, e o anticoncepcional é o que mais engana, porque ele reduz tanto o estradiol que gera sintoma parecido com o do climatério. Isso é o que a avaliação separa, e é por isso que a idade sozinha não fecha a conta.

Mas os sintomas vão muito além do calor:

  • Calorões e suores noturnos. A marca registrada, principalmente à noite.
  • Sono picado. Acordar de madrugada e custar a voltar a dormir.
  • Humor instável. Irritabilidade, ansiedade e mais risco de tristeza profunda.
  • Queda da libido. O desejo diminui, e isso tem base hormonal, não é “só na cabeça”. Escrevi sobre a falta de desejo sexual em detalhe.
  • Ressecamento vaginal. Que pode tornar a relação desconfortável.
  • Dores e rigidez. Nas articulações e nos músculos.
  • Mente mais lenta. Dificuldade de concentração e aquela sensação de memória falhando.
  • Pele e cabelo. Pele mais seca e com menos firmeza, sinais que se confundem com o envelhecimento precoce.
  • Mudança no peso. A gordura tende a migrar para a barriga.

Vale saber: cerca de uma em cada cinco mulheres não tem calorões. Isso não significa que esteja tudo bem por dentro. Mesmo sem o calor, o coração, os ossos, a pele e o cérebro sentem a falta dos hormônios. O calorão é o sintoma mais barulhento, não o mais importante.

E existem dois nomes para quando isso chega cedo. Antes dos 45 anos, chama-se menopausa adiantada. Antes dos 40, o nome atual é insuficiência ovariana primária, também conhecida como falência ovariana prematura. Nos dois casos o acompanhamento médico é ainda mais importante, porque a mulher fica mais tempo exposta à queda hormonal. Em alguns casos, fatores do ambiente também entram na conta, como a exposição a certas substâncias do dia a dia, um assunto que detalho no post sobre disruptores endócrinos.

A janela de ouro: agir cedo vale mais

Um erro comum é esperar o sintoma ficar insuportável para procurar ajuda. Do ponto de vista da medicina integrativa, o melhor momento para agir é cedo, ainda na perimenopausa, quando o ovário ainda produz alguma coisa.

Depois que a menopausa se instala, os primeiros 10 anos são considerados a janela mais favorável para avaliar tratamento, inclusive a reposição hormonal, com mais segurança. Não é uma regra rígida para todo mundo, mas é um princípio que orienta as decisões. Agir dentro dessa janela costuma render mais com menos.

O que ajuda de verdade (antes de pensar em hormônio)

Antes de falar em reposição, existe uma base que faz diferença real e que está nas suas mãos.

  • Musculação. É o item mais subestimado da lista. Preserva massa muscular, fortalece os ossos contra a osteoporose e faz o corpo responder melhor a tudo o que vier depois, inclusive à reposição hormonal, quando ela for indicada.
  • Sono de qualidade. É durante o sono profundo que o corpo se reorganiza por dentro. Proteger as horas de sono ajuda em quase todos os outros sintomas.
  • Comida de verdade. Reduzir ultraprocessados, açúcar e álcool diminui a inflamação que piora os sintomas. Não é dieta da moda, é comida que o corpo reconhece.
  • Manejo do estresse. O estresse crônico bagunça ainda mais os hormônios. Respiração, pausas reais no dia e atividades que acalmam fazem diferença concreta.

O estilo de vida prepara o terreno, e tudo o que vem depois, inclusive a reposição hormonal, funciona melhor quando esse terreno está cuidado.

Infográfico com quatro pilares do estilo de vida na menopausa: musculação, sono, alimentação e manejo do estresse A base que faz diferença antes mesmo de pensar em reposição: musculação, sono, comida de verdade e estresse sob controle.

Reposição hormonal: o que se sabe hoje

Esse é o tema que mais gera medo, e o medo tem endereço.

Ele nasceu do Women’s Health Initiative, um estudo americano publicado em 2002, com mais de dezesseis mil mulheres, cujas manchetes disseram que a reposição causava câncer. Dois detalhes daquele desenho mudam a leitura. O primeiro é que as participantes tinham em média sessenta e três anos e mais de uma década de menopausa, ou seja, quase todas fora da janela em que a reposição faz sentido. O segundo é o tipo de hormônio: estrogênio extraído de urina de égua e um progestágeno sintético que não é a progesterona que o corpo produz.

E há um resultado do próprio estudo que quase não foi noticiado: o grupo que usou estrogênio sozinho, sem o progestágeno sintético, não teve aumento de câncer de mama, e dentro da janela o risco chegou a ser menor. O aumento apareceu no braço que usava o progestágeno sintético.

Hoje, o entendimento da ciência é mais maduro. Para a maioria das mulheres saudáveis, abaixo dos 60 anos e dentro de 10 anos da menopausa, quando há sintomas incômodos, o benefício da reposição costuma superar o risco. A reposição também tem papel na prevenção da osteoporose em casos selecionados.

Mas, e esse “mas” é importante, isso não vale para toda mulher. Existem situações em que a reposição não é indicada, como um câncer de mama prévio, e existe uma que pede investigação antes de qualquer decisão, que é sangramento vaginal sem explicação. O resto se pesa caso a caso, e não dá para responder isso por bula nem por post de blog.

A frase que resume tudo é simples: a decisão é individual. Cada mulher tem uma história, um histórico de família e exames próprios. O que define o melhor caminho é essa avaliação personalizada, feita com o médico, não a propaganda nem o palpite da internet.

Onde a metabolômica entra

Além dos exames de sangue convencionais, que continuam sendo a base, a metabolômica pode somar uma camada de informação. Ela ajuda a enxergar como o corpo está funcionando por dentro nesse momento de transição, o que orienta decisões mais finas. Ela não substitui os exames de sempre, ela soma a eles. É mais uma camada para cuidar com precisão.

Resumo rápido

  • A menopausa não é uma fase, é uma data: a última menstruação, confirmada após 12 meses sem menstruar.
  • Antes dela vem a perimenopausa, ou climatério, que pode começar anos antes e já traz sintomas mesmo com a menstruação presente.
  • Na transição, quem cai primeiro é a progesterona, porque ela depende da ovulação. O estradiol despenca depois.
  • Nem todo calor é menopausa. Ansiedade, cigarro, alguns medicamentos e o anticoncepcional de uso longo dão quadro parecido.
  • Os sintomas vão muito além do calorão: sono, humor, libido, dores, memória e mudança no peso.
  • O estilo de vida (musculação, sono, comida de verdade, estresse) é a base e faz diferença real.
  • A reposição hormonal pode ajudar muito, e a decisão é individual, avaliada com o médico, dentro da janela em que ela rende mais.

Quer atravessar essa fase com mais qualidade de vida?

Se você está na transição ou já na menopausa e quer entender o que está acontecendo no seu corpo nesta fase, vale uma avaliação. Em consulta, eu olho a sua história e os seus exames, que podem incluir a metabolômica somada aos exames de sempre, para montar uma estratégia feita para você.

Agende a sua consulta aqui.

Perguntas frequentes

O que é a menopausa?

A menopausa não é uma fase, é uma data: a última menstruação da vida da mulher. Só dá para confirmar olhando para trás, depois de 12 meses seguidos sem menstruar. Se a última veio em abril de um ano e não veio mais até abril do ano seguinte, a menopausa foi naquele abril. O período de transição, antes disso, com ciclos irregulares e os primeiros sintomas, chama-se perimenopausa ou climatério.

Em que idade a menopausa chega?

No Brasil, a média é por volta dos 51 anos, mas é normal acontecer entre os 45 e os 55. Quando ocorre antes dos 45 anos, chama-se menopausa adiantada, e antes dos 40 o nome atual é insuficiência ovariana primária, também conhecida como falência ovariana prematura. Nos dois casos há indicação de acompanhamento médico, porque a mulher fica mais tempo exposta à queda hormonal. A perimenopausa, com os primeiros sinais, pode começar vários anos antes da última menstruação.

Quais são os sintomas da menopausa?

O mais famoso é o calorão (fogacho), aquela onda de calor que sobe pelo rosto e pescoço, às vezes com suor e coração acelerado. Mas vai muito além: noites mal dormidas, irritabilidade e oscilação de humor, queda da libido, ressecamento vaginal, dores nas articulações, pele mais seca, dificuldade de concentração e mudança na distribuição de gordura. Cerca de uma em cada cinco mulheres não tem calorões, o que não quer dizer que o corpo não esteja sentindo a queda hormonal. E vale o contrário também: ansiedade, cigarro, alguns medicamentos e o uso longo de anticoncepcional produzem um quadro parecido, por isso a idade sozinha não fecha a conta.

Reposição hormonal na menopausa faz mal?

Essa é uma decisão individual, de médico e paciente juntos. O medo antigo veio do Women’s Health Initiative, estudo publicado em 2002 com mulheres que em média já tinham mais de dez anos de menopausa, e que usava hormônios diferentes dos que o corpo produz. No próprio estudo, o grupo que usou estrogênio sozinho não teve aumento de câncer de mama. Hoje se sabe que, para a maioria das mulheres saudáveis abaixo dos 60 anos e dentro de 10 anos da menopausa, quando há sintomas incômodos, o benefício costuma superar o risco. Mas existem situações em que não é indicado. Por isso não há resposta de bula: tem que avaliar a sua história, os seus exames e os seus riscos.

A menopausa engorda?

A queda hormonal muda a forma como o corpo guarda gordura, que tende a se concentrar mais na barriga, mesmo sem mudar a alimentação. Não é frescura nem falta de força de vontade, é fisiologia. A boa notícia é que dá para agir: musculação, sono de qualidade, comida de verdade e, quando indicado, o ajuste hormonal ajudam a virar esse jogo. Tratei só desse tema no post sobre o ganho de peso na menopausa.

Referências científicas

Segundo o PubMed:

  • Duralde ER, Sobel TH, Manson JE. Management of perimenopausal and menopausal symptoms. BMJ, 2023. DOI
  • Crandall CJ, Mehta JM, Manson JE. Management of Menopausal Symptoms: A Review. JAMA, 2023. DOI
  • Nguyen TM, Do TTT, Tran TN, Kim JH. Exercise and Quality of Life in Women with Menopausal Symptoms: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. International Journal of Environmental Research and Public Health, 2020. DOI

Este conteúdo é informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento com profissional de saúde. Cada caso é único e deve ser avaliado de forma individual.

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O conteúdo ajuda a organizar ideias. A consulta permite olhar sua história, seus sintomas e seus exames com contexto.

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