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Ganho de Peso na Menopausa: por que acontece e o que fazer

  • 6 de abr.
  • 5 min de leitura



Por que o ganho de peso na menopausa é tão difícil de evitar?


"Eu não mudei nada na alimentação, mas engordei."

Essa é uma das frases mais comuns que uma mulher na menopausa diz no consultório, e ela tem toda a razão.


O ganho de peso na menopausa não é falta de disciplina nem de força de vontade. Ele é uma consequência direta de mudanças hormonais profundas que afetam o metabolismo, a composição corporal e até a sensação de fome. Quando a gente entende o que está acontecendo por baixo, fica muito mais fácil agir de forma eficaz.



ganho de peso na menopausa causas e tratamento



O papel dos hormônios no ganho de peso na menopausa


A menopausa não é apenas a queda do estradiol. Quando nos aprofundamos no que acontece com o organismo feminino nessa fase, vemos uma cascata de mudanças hormonais simultâneas que juntas explicam muito bem por que o peso sobe mesmo sem alteração na alimentação.


A queda do estradiol e seus efeitos no metabolismo


O estradiol, que é o principal hormônio feminino produzido pelos ovários, exerce funções muito além do ciclo menstrual. Ele protege a massa óssea, estimula a produção de colágeno, regula o humor (por meio da serotonina) e tem papel direto no metabolismo.


Quando o estradiol cai, o organismo entra em um estado de desequilíbrio metabólico. A paciente começa a acumular triglicerídeos (gorduras no sangue), o colesterol se altera e os níveis de leptina (um hormônio produzido pelo tecido gorduroso que sinaliza saciedade para o cérebro) sobem. Quando a leptina está cronicamente elevada, o cérebro deixa de responder ao seu sinal corretamente, o que pode aumentar a sensação de fome e dificultar o controle do peso.


A queda de progesterona e o acúmulo de líquido


A progesterona é um hormônio com efeito diurético natural e papel regulador no metabolismo. Quando ela cai na menopausa, uma das consequências mais comuns é a retenção de líquido, o inchaço e o ganho de peso, especialmente na região abdominal. Sintomas como sensação de estufamento, mamas sensíveis e irritabilidade também fazem parte desse quadro.


O que acontece com o GH e a testosterona


Além do estradiol e da progesterona, a menopausa é acompanhada pela queda do GH (hormônio do crescimento) e da testosterona. O GH é fundamental para manter a massa muscular magra e a composição corporal. Sem ele em níveis adequados, a mulher perde músculo com muito mais facilidade, o que desacelera o metabolismo de base e favorece ainda mais o acúmulo de gordura.


Na menopausa, não é só o estradiol que cai. GH, testosterona e progesterona também diminuem, e cada um desses hormônios contribui, à sua forma, para o ganho de peso.

queda hormonal na menopausa e ganho de peso



Sarcopenia: o músculo perdido que engorda na menopausa


Existe um mecanismo pouco discutido e muito importante para entender o ganho de peso na menopausa: a sarcopenia, que é a perda progressiva de massa muscular com o envelhecimento, e que se acelera muito nessa fase da vida justamente pela queda hormonal.


O músculo é o principal tecido consumidor de energia do corpo. Quanto mais músculo a mulher tem, mais calorias o metabolismo queima mesmo em repouso. Quando há perda de massa muscular, o metabolismo de base desacelera, e o mesmo padrão alimentar que antes mantinha o peso começa a resultar em ganho.


Pesquisas mostram que mulheres com sarcopenia têm 44% mais risco de mortalidade por todas as causas, e quando essa sarcopenia está associada ao excesso de gordura corporal, esse risco é ainda maior.


Por isso, uma das estratégias mais importantes para controlar o ganho de peso na menopausa é justamente preservar e construir massa muscular com treino de força.



Como evitar o ganho de peso na menopausa: o que realmente funciona


As estratégias para controlar o peso nessa fase da vida precisam ser adaptadas ao que o organismo feminino está vivendo. Não basta "comer menos e se mexer mais". É preciso entender como o metabolismo muda e agir de forma direcionada.


Treino resistido: muito mais do que estética


Caminhar é bom, mas é insuficiente para reverter a perda muscular da menopausa. O treino resistido, que é a musculação ou qualquer exercício que trabalhe os músculos contra uma resistência, é a estratégia mais eficaz para preservar e recuperar massa muscular nessa fase.


O exercício de força contínuo e regular é o que estimula a produção adequada de GH, contribui para a saúde óssea e ajuda a reverter o quadro de sarcopenia. A recomendação é que seja feito de forma consistente, não pontual.


Sono de qualidade: o aliado hormonal esquecido


O sono profundo, especialmente entre as 22h e as 5h da manhã, é o período em que o organismo produz GH, regula o cortisol e equilibra a testosterona. Mulheres que dormem mal na menopausa, seja por insônia, fogachos noturnos ou outros fatores, comprometem justamente o momento em que esses hormônios seriam produzidos. Cuidar do sono é cuidar do metabolismo.


Alimentação com foco no equilíbrio hormonal


A alimentação na menopausa precisa ser pensada para sustentar os hormônios que ainda podem ser produzidos e reduzir a inflamação sistêmica. Priorizar proteínas de boa qualidade ajuda a preservar a massa muscular. Reduzir carboidratos refinados e açúcares contribui para o controle da resistência insulínica, que é a redução da sensibilidade das células à insulina, um processo que se intensifica com a queda dos hormônios ovarianos e que favorece o acúmulo de gordura, especialmente na barriga.



  • Priorize proteína em todas as refeições (carnes, ovos, leguminosas)


  • Reduza carboidratos refinados e açúcares simples


  • Inclua gorduras boas como azeite, abacate e oleaginosas


  • Evite pular refeições, o que pode piorar a resistência insulínica


  • Hidrate-se bem ao longo do dia



alimentação e treino para evitar ganho de peso na menopausa



Reposição hormonal e o ganho de peso na menopausa: o que os estudos mostram


Uma dúvida muito comum é: "a reposição hormonal engorda?" A resposta é não, quando bem indicada e com a escolha correta dos hormônios e das vias de administração.


Na verdade, a reposição hormonal adequada pode ajudar a controlar o ganho de peso na menopausa ao restaurar parcialmente o ambiente hormonal que sustenta a composição corporal saudável: menor acúmulo de gordura visceral, melhor manutenção da massa muscular e regulação das alterações metabólicas que aparecem com a queda dos hormônios.


É importante destacar que existem diferenças relevantes entre os tipos de hormônios utilizados. Progestinas sintéticas, que são versões artificiais da progesterona usadas em alguns contraceptivos e terapias de reposição convencionais, podem se ligar a receptores glicocorticoides no organismo e causar retenção de líquido e ganho de peso como efeito colateral. A progesterona bioidêntica, que é quimicamente idêntica à produzida pelo corpo, tem um perfil diferente e mais favorável.


A escolha do tipo de hormônio e da via de administração deve ser individualizada e orientada por um profissional especializado.


A reposição hormonal é a cereja do bolo, não a solução única. O estilo de vida saudável é a base sobre a qual o tratamento hormonal vai ter seu melhor efeito.


O olhar da medicina funcional integrativa para o ganho de peso na menopausa


A medicina funcional integrativa enxerga o ganho de peso na menopausa não como um problema estético, mas como um sinal de desequilíbrio sistêmico que precisa ser investigado de forma completa.


A avaliação inclui não apenas os hormônios ovarianos, mas também tireoide, cortisol, composição corporal detalhada por bioimpedância, perfil lipídico, marcadores inflamatórios e até a saúde intestinal (a microbiota intestinal tem relação direta com o metabolismo e pode contribuir para o ganho de peso quando desequilibrada).



  1. Avaliação hormonal completa: estradiol, progesterona, testosterona, GH, IGF-1, TSH, T3 livre


  2. Composição corporal: avaliar massa muscular e percentual de gordura, não apenas o peso na balança


  3. Marcadores metabólicos: glicemia, insulina, hemoglobina glicada, triglicerídeos, colesterol fracionado


  4. Avaliação do sono e do estresse


  5. Abordagem integrativa: exercício resistido, alimentação funcional, higiene do sono e, quando indicada, reposição hormonal individualizada


O objetivo não é simplesmente emagrecer, mas restaurar o equilíbrio metabólico e hormonal para que a mulher viva com mais energia, mais massa muscular e mais qualidade de vida nessa fase.




Quer entender o que está por trás do seu ganho de peso na menopausa?


Agende uma consulta com o Dr. Renato Susin, médico nutrólogo e especialista em medicina funcional integrativa. A avaliação pode incluir exames de precisão, como a metabolômica, para identificar desequilíbrios e ajustar seu metabolismo de forma personalizada.



Consulta de nutrologia

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