**
top of page

Falta de Desejo Sexual: causas e o que fazer

  • 2 de abr.
  • 6 min de leitura

Falta de desejo sexual: quando o corpo está pedindo atenção


A falta de desejo sexual é uma das queixas mais comuns no consultório, mas ainda assim uma das mais silenciadas. Muitas pessoas acreditam que é algo "da cabeça" ou que simplesmente "faz parte da idade", e acabam convivendo com esse problema sem buscar ajuda.


A realidade é diferente: a perda do desejo sexual quase sempre tem uma causa identificável. E quando olhamos para essa causa com a lente da medicina funcional integrativa, encontramos respostas que vão muito além de uma simples "falta de interesse".



falta de desejo sexual em casal adulto



O que está por trás da queda do desejo sexual


O desejo sexual não é um sentimento isolado. Ele depende de um equilíbrio fino entre hormônios, sistema nervoso, qualidade do sono, nível de estresse e até a saúde do intestino. Quando algum desses sistemas sai do eixo, o desejo é um dos primeiros sinais a desaparecer.


Na prática clínica, as causas mais frequentes se dividem em dois grupos: emocionais e orgânicas.


Entre as causas emocionais, destacam-se a depressão, a ansiedade de desempenho e o estresse crônico acumulado. Um dado importante é que, quando há falhas repetidas na vida sexual, o inconsciente pode, literalmente, cortar o desejo como forma de proteção, evitando o sofrimento emocional associado à situação. A pessoa começa a se esquivar de momentos íntimos sem perceber o que está acontecendo.


Entre as causas orgânicas, as mais relevantes são o desequilíbrio hormonal, a obesidade, o sedentarismo, o sono de má qualidade, o diabetes, doenças cardiovasculares e a exposição a substâncias que interferem na produção de hormônios.


A falta de desejo sexual é um sintoma. E todo sintoma tem uma causa que precisa ser investigada e tratada.


Hormônios e libido: a testosterona não é só coisa de homem


A testosterona é o hormônio mais diretamente ligado ao desejo sexual, e isso vale tanto para homens quanto para mulheres.


Testosterona em homens: quando a queda começa antes do esperado


Nos homens, a redução dos níveis de testosterona começa naturalmente a partir dos 30 anos. Com isso, aumenta progressivamente a incidência de queda da libido, cansaço, dificuldade de concentração, redução da massa muscular e alterações de humor.


Esse conjunto de sintomas associados à queda de testosterona é chamado de hipogonadismo, que é basicamente a produção insuficiente desse hormônio pelos testículos. Quando ocorre de forma mais acentuada, pode ser chamada de andropausa, um processo semelhante ao que acontece com as mulheres na menopausa, mas com uma progressão mais lenta e silenciosa.


A obesidade é um fator agravante importante: ela é três vezes mais relevante do que o próprio envelhecimento na queda da produção de testosterona. O tecido gorduroso em excesso aumenta a conversão de testosterona em estrogênio, reduzindo ainda mais os níveis disponíveis no organismo.



Testosterona em mulheres: o hormônio esquecido da libido feminina


Nas mulheres, a testosterona também tem papel fundamental no desejo sexual, embora seja produzida em quantidades muito menores. Durante a menopausa, há uma queda significativa do estradiol (o principal estrogênio feminino) e da progesterona, mas também uma redução importante da testosterona.


Essa queda hormonal combinada é o que leva muitas mulheres a relatarem, além dos famosos calores, uma perda expressiva do desejo sexual, ressecamento vaginal, falta de energia e alterações de humor. A principal indicação clínica para a reposição de testosterona em mulheres é exatamente essa: a queda no desejo sexual acompanhada de outros sintomas que impactam a qualidade de vida.


Estudos mostram que a reposição de testosterona em mulheres com deficiência desse hormônio melhora o desejo sexual, contribui para o aumento da massa muscular, melhora a saúde óssea e reduz escores de depressão.



falta de desejo sexual feminino na menopausa



O que o estresse crônico e o sono ruim fazem com a sua libido


O estresse crônico é um dos maiores inimigos do desejo sexual, e o mecanismo por trás disso é direto.


Quando o organismo está em estado de estresse prolongado, o eixo HPA (hipotálamo-hipófise-adrenal), que é o sistema responsável pela resposta ao estresse no corpo, entra em sobrecarga. Nesse estado, a produção hormonal como um todo se desequilibra: cortisol, GH (hormônio do crescimento) e testosterona compartilham vias e dependem de um ambiente metabólico equilibrado para serem produzidos em quantidades adequadas. Quando o estresse crônico domina esse ambiente, a orquestra hormonal começa a desafinar.


O sono é um dos pilares mais importantes desse equilíbrio. É principalmente durante o sono profundo, entre as 22h e as 5h da manhã, que o organismo produz testosterona, GH e regula o cortisol de forma saudável. Quem dorme mal, dorme pouco ou tem apneia do sono (que é a parada repetida da respiração durante o sono) apresenta queda significativa dos níveis de testosterona.


Estudos confirmam que pacientes com apneia obstrutiva do sono apresentam baixos níveis de testosterona e função sexual comprometida justamente por causa dessa relação.


Dormir bem não é luxo. É uma condição básica para o equilíbrio hormonal e para o desejo sexual.


Disruptores endócrinos: os vilões que você não vê


Um fator cada vez mais presente nos casos de falta de desejo sexual é a exposição a substâncias chamadas de disruptores endócrinos. Essas substâncias imitam ou bloqueiam a ação dos hormônios no organismo, interferindo diretamente no equilíbrio hormonal.


O Bisfenol A, mais conhecido como BPA, é um dos mais estudados. Ele está presente em embalagens plásticas, latas de alimentos e recibos de papel térmico. Estudos mostram que homens regularmente expostos a altos níveis de BPA relatam redução do desejo sexual e disfunção erétil. O BPA interfere no eixo hipotalâmico-hipofisiário, reduzindo os níveis de testosterona biodisponível.


Os microplásticos, presentes em larga escala em peixes e frutos do mar, e os pesticidas amplamente usados na agricultura também têm propriedades antiandrogênicas, ou seja, bloqueiam a ação dos hormônios masculinos.


Pesquisas indicam que a exposição crônica a essas substâncias está diretamente relacionada ao aumento do estresse oxidativo e à redução da produção de testosterona.


  • Evite aquecer alimentos em embalagens plásticas


  • Prefira alimentos orgânicos sempre que possível


  • Consuma peixes de águas mais limpas e em quantidades controladas


  • Reduza o contato com recibos de papel térmico (como os de caixa de supermercado)


 disruptores endócrinos e impacto na libido



Medicamentos que podem reduzir o desejo sexual


Um ponto que raramente é discutido com os pacientes é que certos medicamentos de uso comum podem, como efeito colateral, reduzir a libido.


Os inibidores da enzima 5-alfa-redutase, como a finasterida e a dutasterida, usados para calvície masculina e para o tratamento da hiperplasia benigna de próstata (que é o aumento benigno da próstata), são exemplos relevantes. Essa classe de medicamentos bloqueia a conversão de testosterona em DHT (di-hidrotestosterona, uma forma mais potente do hormônio), e muitos pacientes relatam redução significativa da libido durante e após o uso. Em alguns casos, esses efeitos podem persistir mesmo após a suspensão do medicamento.


Outros grupos, como certos anti-hipertensivos (medicamentos para pressão alta), antidepressivos e diuréticos, também podem impactar a função sexual. Se você faz uso de algum medicamento de uso contínuo e percebeu queda no desejo sexual, converse com seu médico sobre essa possibilidade.



O olhar da medicina funcional integrativa para a libido


A medicina funcional integrativa não trata a falta de desejo sexual como um problema isolado. Ela busca entender o que está desequilibrado nos sistemas do corpo que compõem esse processo: hormônios, sono, estresse, inflamação, microbiota e metabolismo.


  1. Investigação hormonal completa: avaliação dos níveis de testosterona (total e livre), estradiol, progesterona, SHBG (proteína que "prende" a testosterona no sangue), LH, FSH e DHEA.


  2. Avaliação do sono e do estresse: identificar se há apneia do sono, insônia ou sobrecarga crônica do eixo do estresse.


  3. Análise do estilo de vida: sedentarismo, alimentação inflamatória, obesidade e exposição a disruptores endócrinos são pontos avaliados.


  4. Identificação de doenças de base: diabetes, resistência insulínica, doenças cardiovasculares e hipotireoidismo (funcionamento reduzido da tireoide) afetam diretamente os hormônios sexuais.


  5. Abordagem integrada: o tratamento combina mudanças de estilo de vida, suplementação quando indicada, reposição hormonal quando necessário e acompanhamento contínuo.


O objetivo não é apenas restaurar o desejo sexual, mas identificar e tratar a causa raiz do problema, promovendo saúde de forma ampla e duradoura.


Quando o desejo sexual cai, o corpo está sinalizando que algo está fora do equilíbrio. Esse sinal merece atenção, não normalização.


Quer entender se os seus hormônios estão realmente equilibrados?


Agende uma consulta com o Dr. Renato Susin, médico nutrólogo e especialista em medicina funcional integrativa. A avaliação pode incluir exames de precisão, como a metabolômica, para identificar desequilíbrios e ajustar seu metabolismo de forma personalizada.


Consulta de nutrologia

Comentários


bottom of page