Menopausa: sintomas, causas e o que fazer
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Menopausa: o que é e quando acontece
A menopausa não é uma fase, é uma data.
Do ponto de vista médico, ela é definida como a última menstruação da vida da mulher. O diagnóstico, porém, é retrospectivo: só é confirmado depois de 12 meses seguidos sem menstruar. Ou seja, se a última menstruação ocorreu em abril de 2023 e a mulher não menstruou até abril de 2024, a data da menopausa é abril de 2023.
No Brasil, a idade média de ocorrência da menopausa é de 51 anos. E com uma expectativa de vida feminina que hoje ultrapassa os 78 anos, a mulher pode passar praticamente um terço da vida na pós-menopausa. Isso significa que essa fase merece atenção, cuidado e informação de qualidade.

O que provoca a menopausa
A menopausa acontece porque os ovários progressivamente perdem a capacidade de produzir hormônios. Esse processo, chamado de envelhecimento ovariano, começa muito antes do que a maioria imagina, às vezes até 10 anos antes da última menstruação.
O principal hormônio afetado é o estradiol (a principal forma de estrogênio produzida pelo ovário), mas não é o único. A progesterona também cai, pois depende da ovulação para ser produzida. E a testosterona reduz em torno de 50%, já que parte dela vem dos ovários.
Esses três hormônios têm atuação em praticamente todos os sistemas do corpo. Por isso, quando eles caem, os efeitos são tão amplos.
Um marcador importante nessa transição é o FSH (hormônio folículo estimulante, produzido pela hipófise). Quando o ovário começa a produzir menos estradiol, o FSH sobe como mecanismo compensatório para tentar estimular mais o ovário. FSH elevado no exame de sangue é um sinal de que a reserva ovariana está diminuindo.
Quando a menopausa chega sem informação, a mulher perde anos de qualidade de vida sem precisar perder.
Menopausa precoce: quando ocorre antes do tempo
A menopausa precoce ocorre quando a falência ovariana acontece antes dos 40 anos de idade. As causas podem incluir fatores genéticos, doenças autoimunes, cirurgias ovarianas, quimioterapia ou radioterapia.
Mulheres com menopausa precoce ficam mais tempo expostas à deficiência hormonal, o que aumenta os riscos a longo prazo, especialmente para os ossos e o coração. Por isso, é fundamental o diagnóstico e acompanhamento médico precoces.
Quais são os sintomas da menopausa
O sintoma mais famoso é o fogacho, aquela sensação súbita de calor intenso que sobe pelo corpo, especialmente pelo rosto e pescoço, muitas vezes acompanhada de suor e palpitações. Mas os sintomas da menopausa vão muito além disso.
Entender o mecanismo ajuda: quando o estradiol cai, os níveis de serotonina (um neurotransmissor ligado ao bem-estar) também diminuem. Essa queda de serotonina estimula o aumento de noradrenalina (outro neurotransmissor), que altera o centro regulador de temperatura do cérebro, gerando aquela sensação de "fogo por dentro".
• Fogachos (calores) e suores noturnos
• Insônia e alterações do sono
• Irritabilidade, ansiedade e risco aumentado de depressão
• Diminuição da libido
• Ressecamento vaginal e dor durante as relações sexuais
• Dor de cabeça
• Dor articular e muscular
• Olhos secos e sensação de areia nos olhos
• Dificuldade de concentração e memória
• Pele mais seca e com menos firmeza
• Ganho de peso e alterações metabólicas
É importante saber que cerca de 20% das mulheres não apresentam fogachos durante a menopausa. Isso não significa que o organismo não seja afetado pela deficiência hormonal. Sem estradiol, o coração, os ossos, a pele e o cérebro ainda sofrem as consequências.

Por que a menopausa afeta tanto o organismo
O estradiol é produzido em praticamente todos os tecidos do corpo e age em receptores distribuídos do cérebro aos ossos. Quando ele cai, os efeitos são sistêmicos.
No sistema cardiovascular, o estradiol estimula a produção de óxido nítrico, uma substância que ajuda os vasos sanguíneos a se dilatarem e se adaptarem às variações de pressão arterial. Sem esse mecanismo, os vasos ficam mais rígidos, o que aumenta o risco de hipertensão e doenças cardíacas.
Nos ossos, o estradiol inibe as células responsáveis por reabsorver o tecido ósseo (os osteoclastos). Com a queda hormonal, essa reabsorção aumenta e a formação óssea diminui, favorecendo a osteoporose.
Na pele e nos tecidos, o estradiol estimula a produção de colágeno. Por isso, muitas mulheres percebem a pele mais seca, menos firme e com mais rugas logo após a menopausa.
No cérebro, a queda hormonal afeta a serotonina e a dopamina, contribuindo para as alterações de humor, insônia, ansiedade e dificuldade de memória.
A janela certa para agir: antes ou logo após a menopausa
Um erro muito comum é esperar que os sintomas fiquem insuportáveis para buscar tratamento. Do ponto de vista funcional e integrativo, o momento ideal para intervenção é ainda durante a transição menopausal, chamada de perimenopausa.
Nessa fase, o ovário ainda produz alguma quantidade de hormônios, mas de forma irregular e decrescente. Agir cedo significa preservar a capacidade dos tecidos de responder à reposição hormonal, com doses menores e resultados mais expressivos.
Após a menopausa instalada, os primeiros 10 anos são considerados a janela de oportunidade para iniciar a terapia hormonal com maior segurança e benefício.
E o mais recente consenso científico deixou claro: não há tempo máximo para a duração da terapia, desde que os benefícios continuem superando os riscos para aquela paciente específica.
Estilo de vida: a base que potencializa o tratamento
Antes de falar em hormônios, é fundamental construir a base. A abordagem funcional integrativa entende que a reposição hormonal é a "cereja do bolo", não a solução isolada.
• Exercício físico resistido (musculação): preserva massa muscular, estimula a produção natural de hormônio de crescimento e fortalece os ossos. A recomendação é de pelo menos 250 minutos por semana de atividade resistida.
• Sono de qualidade: durante o sono profundo, o organismo produz cortisol, hormônio do crescimento e testosterona. Dormir entre 22h e 5h, sempre que possível, favorece esses processos.
• Alimentação anti-inflamatória: reduzir ultraprocessados, açúcar e álcool diminui a inflamação sistêmica que agrava os sintomas da menopausa.
• Gestão do estresse: o cortisol crônico elevado piora o desequilíbrio hormonal. Práticas de respiração, meditação e pausas ativas fazem diferença real.
Estimule o corpo a produzir o que ele ainda pode produzir. O hormônio reposto faz mais efeito quando o terreno está preparado.

A terapia de reposição hormonal e os mitos que persistem
Durante muitos anos, um estudo americano chamado Women's Health Initiative (WHI), publicado em 2002, gerou medo generalizado em relação à reposição hormonal. O problema é que aquele estudo usava hormônios derivados da urina de égua prenha (equinos conjugados), que não são os mesmos hormônios produzidos pelo corpo humano.
A reposição hormonal, feita com hormônios bioidênticos que reproduzem as moléculas naturais do organismo feminino, tem um perfil de segurança completamente diferente dos hormônios equinos usados no WHI. Vale lembrar que mesmo o WHI, ao ser reavaliado em 2018, mostrou que o hormônio usado naquele estudo tinha ações positivas e até efeito discretamente protetor no receptor. Com os hormônios certos, pela via correta e com a devida estratificação de risco, a reposição não só não aumenta o risco de câncer de mama como pode ter efeito neutro ou protetor.
A avaliação individual é insubstituível. Cada mulher tem uma bioquímica própria, um histórico diferente e necessidades específicas. A estratificação de risco personalizada é o que define o melhor protocolo.
Quer entender como os seus hormônios estão nessa fase?
Agende uma consulta com o Dr. Renato Susin, médico nutrólogo e especialista em medicina funcional integrativa. A avaliação pode incluir exames de precisão, como a metabolômica e o perfil hormonal completo, para identificar desequilíbrios e montar uma estratégia personalizada que cuide do seu organismo de dentro para fora, com ciência e cuidado.





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